O pacto: psicodélico ao ridículo

Já havia chegado à conclusão de que os japoneses têm alguns parafusos soltos — mas, às vezes, eles se superam. O Pacto (Jisatsu Sâkuru), filme japonês de 2022, parte de uma premissa interessante e até reflexiva, especialmente considerando que o Japão é uma das nações com os maiores índices de suicídio do mundo.



A história começa com um grupo de garotas, aparentemente felizes, que se atiram na frente de um trem, resultando em 54 mortes sem motivo aparente. Para desespero das autoridades, ondas de suicídio sem sentido se espalham pelo país. A trama ganha contornos ainda mais sombrios quando uma jovem, conhecida como “O Morcego”, alerta a polícia sobre um site que marca as mortes com pontos vermelhos (mulheres) e brancos (homens). O problema: os pontos aparecem minutos antes das mortes acontecerem, levando os detetives a suspeitarem de homicídio.



Até aí, tudo intrigante. No entanto, a resolução do filme é completamente descabida. O ápice do absurdo chega quando um vilão sequestra O Morcego e sua amiga e começa a cantar para elas, enquanto um de seus subordinados comete um estupro — cena bizarramente coberta por um lençol. Insanidade é pouco.

O antagonista, que se autointitula presidente do “clube do suicídio”, assume a autoria dos eventos, mas no fim não é responsável por nada — apenas por sua própria loucura e pelos crimes cometidos por seu grupo.

O final é psicodélico e confuso; confesso que não entendi quase nada. O pior foi envolver crianças na trama, como se elas pudessem fazer reflexões tão pesadas a ponto de induzir adultos ao suicídio.



Foi demais para mim. Não recomendo. Apesar disso, houve um elemento que chamou minha atenção: para chegar ao núcleo de tudo, uma personagem precisou decifrar um código semiótico baseado na foto de um grupo infantil de ídolos pop. Essas meninas aparecem várias vezes ao longo do filme, cantando o que parecem ser músicas com mensagens subliminares. Essa parte é, de fato, interessante — mas não o suficiente para justificar assistir ao filme.

Ou seja: se curte cinema japonês experimental e tem estômago forte, pode arriscar. Mas é por sua conta e risco!

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