Resenha: "Sanaeha Sunya Kaen" (Secret Love - 2014) - Onde estava o amor? Só vi violência!

Kim Eh Lis aqui, e hoje vim falar de um lakorn que ainda me deixa PASMADA — e não de um jeito bom. "Sanaeha Sunya Kaen" (conhecido como "Secret Love") é daqueles dramas que a gente começa a assistir esperando romance proibido, segredos e química, mas termina com a mão na cabeça e o coração apertado.



A trama gira em torno de Napat, interpretado pelo ator Chakrit Yamnarm, e Nuan, interpretada por Patricia Good. Resumindo rapidão: ele é um homem poderoso, obcecado pela mulher que faleceu em um acidente de carro; e ela é uma moça doce, um enfermeira que quer ajudar a irmã dele que não anda e acaba se tornando o alvo dessa obsessão. Até aqui, tudo parece típico de um drama tailandês, certo?

ERRADO.

O que começa como uma história de amor não correspondido rapidamente descamba para uma sucessão de cenas de violência psicológica, física e até sexual contra a protagonista. O protagonista, Napat, sequestra Nuan, humilha, agride e comete atos claramente criminosos contra ela. E o pior: a narrativa tenta romantizar isso como "amor intenso" ou "paixão avassaladora".


A vingança por ela ter sido atropelada e quase morta pela sua noiva? Isso tudo justifica a humilhação, a violência, a tortura física e psicológica? Eu adoro uma trama de vingança, mas pera lá... violência não. 

Mas peraí, Kim... E a lei nisso tudo?

Parlamento da Tailândia (muito lindo, por sinal)

Fiquei me perguntando: onde estava a polícia? Onde estava a justiça? Isso me levou a pesquisar como a lei tailandesa lida com estupro e violência sexual.

Na Tailândia, o estupro é crime previsto no Código Penal tailandês, Seção 276, com pena de prisão de 4 a 20 anos, podendo chegar à prisão perpétua ou até pena de morte se houver agravantes (como morte da vítima). Além disso, desde 2007, o estupro marital também é reconhecido como crime. Ou seja, nem mesmo um casamento justifica o ato.

No entanto, a aplicação da lei e a cultura do silêncio ainda são grandes desafios. Muitas vítimas não denunciam por medo, vergonha ou falta de apoio social. E, infelizmente, obras de ficção como essa acabam normalizando a violência ao retratar o agressor como um "homem apaixonado e ferido", em vez de um criminoso.

O que achei da série?


Como fã de lakorns antigos e novos, acho importante falar:
 "Sanaeha Sunya Kaen" é problemática e perigosa na forma como glamouriza o abuso. Se hoje em dia já vemos mais críticas a esse tipo de roteiro, em 2014 esse tema ainda era tratado com menos responsabilidade. A atuação é boa? Sim, os atores conseguem transmitir dor e obsessão. Mas a mensagem que fica é terrível: "se ele te maltrata, é porque te ama". NÃO, NÃO É.

Um ponto positivo?

Gostei dos pais do protagonista. Geralmente, nas novelas em que há uma distinção de classes (ele, rico; ela, pobre), os pais fazem aqueles personagens chatos que querem impedir o romance a todo custo. Neste dorama, os pais do protagonista são uns fofos e a mãe arma de tudo para que ele fique com a protagonista. Achei legal. 

Para resumir

Se você for assistir, assista com crítica ligada. Lembre-se: amor não é posse, não é violência, não é humilhação. E na vida real, a Tailândia, assim como muitos países, ainda luta para proteger vítimas e aplicar a lei de forma efetiva.

Fica o questionamento: até que ponto a ficção deve romantizar crimes?


E você, já assistiu? O que achou?
Comenta aqui embaixo, mas vamos manter o respeito, pois o tema é sério.

Beijos (e ainda pasma),
Kim Eh Lis ✨

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