Após sucesso de "The Ugly", diretor de "Train to Busan" aposta em filmes de micro-orçamento

O cineasta sul-coreano Yeon Sang-ho, a mente por trás do fenômeno Train to Busan e da série Hellbound da Netflix, está revolucionando a indústria do cinema em seu país. Após o retorno surpreendente de 50 vezes o investimento com o filme The Ugly, ele está repetindo a aposta em um modelo de produção enxuto. Sua nova empreitada, Paradise Lost, promete chocar não pela escala, mas pela sua eficiência e narrativa poderosa.


A Nova Aposta de Yeon: "Paradise Lost"

A CJ ENM, gigante do entretenimento, confirmou que o novo thriller de Yeon, Paradise Lost (título provisório), já tem seu elenco definido e as filmagens começam em dezembro. A trama gira em torno de uma mãe cujo filho desapareceu há nove anos. Quando ele retorna, já adulto, segredos sombrios começam a vir à tona.


A protagonista será Kim Hyun-joo, uma colaboradora frequente de Yeon (Hellbound, Jung_E), ao lado do novato Bae Hyun-sung.


O Modelo de Produção Enxuta: A Fórmula do Sucesso

O dado mais impactante deste projeto é o seu orçamento: apenas 500 milhões de won (cerca de US$ 340.000). Esse valor é uma fração do orçamento base de 3 bilhões de won comum nos filmes comerciais coreanos.

Esse não é um experimento isolado. É a confirmação de um novo modelo que Yeon testou com sucesso absoluto em The Ugly, seu projeto anterior.

A receita de "The Ugly":

The Uggly e seus feitos

  • Orçamento mínimo: 200 milhões de won.

  • Equipe esquelética: Apenas 20 pessoas.

  • Filmagem ágil: 13 dias de gravação em 3 semanas.

  • Remuneração alternativa: Elenco e equipe aceitaram salários mínimos em troca de participação nos lucros, vinculada ao desempenho nas bilheterias.

O Resultado que Abalou a Indústria

O modelo foi um sucesso estrondoso. The Ugly cruzou a marca de 1 milhão de admissões e arrecadou aproximadamente 11 bilhões de won – um retorno de mais de 50 vezes o seu custo de produção.

Em contraste, a megaprodução Omniscient Reader, com um orçamento colossal de 30 bilhões de won, mal conseguiu atingir 1 milhão de admissões, tornando-se um exemplo dos riscos dos blockbusters no cenário pós-pandemia.

Lee Min Ho em Omniscient Reader

Uma Mudança de Paradigma na Indústria

As perdas consecutivas de grandes estúdios, como a CJ ENM (que teve prejuízos por três anos seguidos), estão forçando uma reavaliação do mercado. A indústria começa a perceber que criatividade e eficiência podem valer mais do que escala.

Yeon Sang-ho já vislumbrava esse futuro. Em uma coletiva de imprensa, ele declarou: "Quero sistematizar essa abordagem, e não deixar que termine como um experimento único... Estou pensando em como estabelecer uma estrutura onde os filmes possam ser feitos nesse nível."*

O Futuro é Enxuto?

O sucesso de Yeon Sang-ho com The Ugly e a rápida concretização de Paradise Lost sinalizam um vento de mudança. Em um momento em que o investimento em grandes produções está em crise, esse modelo de micro-orçamento surge como uma alternativa viável e criativa.

Como disse um profissional do setor: "A era em que os blockbusters eram um sucesso garantido acabou. Chegamos a um ponto onde a criatividade e a eficiência importam mais do que a escala."

A aposta de Yeon não é apenas em um filme, mas em um novo caminho para o cinema coreano. E todos os olhos estão voltados para ele.


Fonte: https://www.koreaherald.com/article/10626066

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